Agrotóxicos

Revista Veja brinca com inteligência dos leitores

Caros leitores, francamente, essa história de chamar os venenos usados na agricultura de ‘agrotóxicos’ é uma maldade satânica daquela gente do MST.

A partir de agora, usamos ‘defensivos agrícolas’, já que o objetivo dos venenos é proteger você, leitor, das pragas, insetos e parasitas.

O fato de que os ‘defensivos’ defendem as plantas e aumentam o lucro, independentemente de sua saúde, é desprezível.

E ainda que nossa lógica seja sofrível, não seria bom ficar livre daqueles parasitas que infestam o governo federal?

No próximo capítulo, como evitar o uso impróprio da palavra ‘câncer’.

(Do blog Vi o mundo)

Deputado que promoveu as deformações que hoje vemos na lei de biossegurança e que liderou a detonação do código florestal, o agora ministro dos Esportes Aldo Rebelo (PCdoB/SP) chama para sua equipe diretor da estadunidense Bunge, gigante do agronegócio, conforme noticiou O Globo (14/11). Logo ele que vê interesses colonialistas por trás da ação de entidades estrangeiras no país. O neoruralista Aldo Rebelo mostra que sua ideologia tem dois pesos e duas medidas.

Após ação da Defensoria Pública de SP, Justiça concede liminar que suspende plantação de eucalipto em Taubaté e Redenção da Serra

Defensoria Pública do Estado de São Paulo, 11/11/2011

A Defensoria Pública de SP em Taubaté obteve decisão liminar da Justiça que determina a suspensão da plantação de eucaliptos nos municípios de Taubaté e Redenção da Serra, no Vale do Paraíba, até que sejam realizados Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e audiências públicas relativas a cada empreendimento que cultiva a árvore nessas duas cidades. Em caso de descumprimento, está prevista uma multa diária de R$ 15 mil. A decisão – da Vara da Fazenda Pública de Taubaté – também impõe ao Estado e aos respectivos municípios a obrigação de fiscalizar o cumprimento da liminar e respeitar as normas ambientais.

“Se não existem estudos detalhados sobre os efeitos do plantio de eucaliptos realizado, que esteja sendo realizado ou que vai se realizar, pode-se considerar sob perigo a coletividade, até que se demonstre segurança naquilo que se faz”, apontou o Juiz Paulo Roberto da Silva.

GAZETA DO POVO, 03/11/2011

A “arca” das sementes é garantia de preservação

Diversidade de espécies agrícolas é protegida pelos bancos de sementes, que têm no Brasil a Embrapa como o maior exemplo, com 110 mil amostras

Publicado em 02/11/2011 | Londrina - Juliana Gonçalves, correspondente

O que aconteceria se as plantas sumissem? O desaparecimento da diversidade genética agrícola ocorre por diversos fatores, como desastres ambientais, a degradação de áreas ou a simples preferência do mercado por determinados tipos de alimento. Para conter a perda da biodiversidade, centros de pesquisa e entidades civis mantém bancos de preservação que garantem a sobrevivência de espécies. Algo como uma Arca de Noé dos novos tempos, mas direcionado à preservação da flora.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que, no último século, cerca de 75% de toda a diversidade genética agrícola do planeta tenha desaparecido, como o milho, que teria perdido milhares de variedades.

Apesar de a cobrança de royalty não fazer parte dos protocolos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embra­­­pa), essa prática vem sendo discutida pela instituição como estratégia de proteção da tecnologia desenvolvida pela unidade especializada em arroz e feijão, localizada em Santo An­­­tônio de Goiás (GO). “Se constatarmos que haverá maior distribuição da tecnologia aos produtores brasileiros sem royalty, não vamos cobrar”, disse Filipe Teixeira, especialista em patentes da Embrapa. Porém, outras questões estão em jogo, acrescentou.

POR JOSÉ ALBERTO GONÇALVES PEREIRA, Página 22

Há outros elementos que, combinados, explicam a maior visibililidade recente da questão dos agrotóxicos na opinião pública. Dois deles referem-se a duas iniciativas importantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma é o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, que teve início em 2001 e divulga anualmente dados sobre a presença de resíduos de agroquímicos ilegais ou acima dos limites legais em 17 culturas agrícolas.

A outra ação da agência, a reavaliação do registro de 14 agrotóxicos, em curso desde 2008, é muito mais polêmica, visto que confronta diretamente a indústria de agrotóxicos. Nessa reavaliação já foram banidos os inseticidas triclorfom e cihexatina – em junho e outubro de 2010, respectivamente – e outros dois terão uso proibido em junho de 2012 (metamidofós) e julho de 2013 (endosulfan). Trata-se de inseticidas que já foram banidos na maior parte dos países desenvolvidos por serem perigosos para a saúde humana e o meio ambiente.

Na sociedade civil, a movimentação em torno do tema tem sido intensa ao longo deste ano. Em abril, 30 movimentos sociais, sindicatos, pastorais e organizações ambientalistas lançaram a Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida.

O objetivo da campanha é alertar a sociedade sobre os danos causados pelo uso de agrotóxicos e construir iniciativas, inclusive na frente jurídica. Como uma ação da campanha, o cineasta Sílvio Tendler lançou em julho o documentário O Veneno Está na Mesa, que mostra os riscos do uso de agrotóxicos na agricultura e como este modelo beneficia as grandes transnacionais. O documentário pode ser assistido no Youtube. (JAGP)

POR JOSÉ ALBERTO GONÇALVES PEREIRA, Página 22

Após quase duas décadas deixado de lado na pauta que o encomendaram socioambiental, o tema dos agrotóxicos está voltando com força ao debate público. Uma série de iniciativas públicas e das organizações não governamentais atraiu a atenção da mídia e voltou a mobilizar movimentos sociais e ecológicos em diferentes partes do País. Lançado em setembro, por exemplo, o livroAgrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida (disponível em versão online) preenche séria lacuna nas políticas públicas de agricultura, meio ambiente e saúde, que é a falta de informações e orientações sobre legislação, intoxicações e uso seguro dos agroquímicos. Pode ser baixado no link bit.ly/rchS6D

O livro é uma iniciativa conjunta da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) à agrônoma Flavia Londres. Há mais de uma década, Flavia atua como assessora de organizações ligadas à agroecologia e de combate aos agrotóxicos e aos transgênicos. “Associo a retomada do assunto ao triste título recebido pelo Brasil em 2008 e 2009, quando se tornou campeão mundial de vendas de agrotóxicos, superando até os Estados Unidos”, disse Flavia a Página22, usando o critério de volume comercializado. 

Embora a produção agrícola estadunidense seja 2,5 vezes superior à safra brasileira de grãos e fibras, o Brasil deve se tornar o maior mercado de agrotóxicos do mundo em 2011 em receita, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). A entidade prevê vendas de US$ 8 bilhões, acima dos US$ 7,3 bilhões de 2010.